trégua e facas

"Tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me de que sou sentimental. Mas reconheço, ao medir-me, que tudo isso é pensamento, que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada. E a única vida que temos, é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada. Qual é a verdadeira e qual a errada, ninguém nos sabe explicar; E vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar". Fernando Pessoa

Tuesday, May 15, 2018


Sobre o luto... sobre a perda... sobre a morte...




"simplesmente porque o silêncio da perda é ensurdecedor". 


É um buraco tão fundo, tão sem fundo.


É saudades, claro que é. Mas não é só isso. É mais, bem mais que isso.


O texto da Antônia no Divã falou bem, tornou inteligível o que tem sido sendo... é sobre a falta de comunicação, é sobre a falta de resposta, é sobre o não saber se ele ouve, se ele vê, onde ele está, sobre o que aconteceu, sobre o que está acontecendo... é sobre tanto não saber, é sobre o silêncio.


É sobre a moto que continua funcionando, é sobre o capacete que ninguém dá fim, é sobre a lembrança infinita daquele dia que queria que nunca tivesse existido. É sobre os abraços que queria dar, das danças que queria dançar, sobre as desculpas que queria pedir. É sobre o tchau que não disse, sobre o abraço que não dei.


É sobre como eu tinha que ficar na ponta do pé pra te dar um abraço de oi enquanto eu dizia "E aí Leo, blza?". É sobre como vc me rodava quando a gente dançava... É sobre como éramos tão diferentes e como você era meu irmão. É sobre como eu não entendia o que agora simplesmente vejo. 




É sobre não dar mais tempo.






Link para o texto da Antônia no Divã: http://obviousmag.org/antonia_no_diva/2018/alo-e-do-ceu.html

Monday, August 19, 2013



RECEBER AMOR É AMAR DE VERDADE


Fabrício Carpinejar


Ser amado incomoda. Ser amado é uma droga. Ser amado é uma tortura. Ser amado é o gesto mais árduo da vida do casal - mais difícil do que amar.

Fica-se com a sensação de que temos que devolver o que recebemos. Não queremos nem abrir a porta para não precisar retornar a visita. Odiamos surpresas que nos põem em falta. Receamos gentilezas que impõem nosso atraso. Detestamos agrados que não foram imaginados antes.

Excesso de amor intimida, excesso de amor oprime, excesso de amor gera uma competição invisível.

Somos avarentos por prevenção.

Somos avarentos para dominar o que sentimos.

Somos avarentos para evitar a dependência.

Somos avarentos para não sofrer mais adiante.

Somos avarentos para não ter que se explicar.

Somos avarentos para não se entregar ao outro.

A avareza é confortável. E previsível

Se alguém dá um presente, surge a miragem de recompensar imediatamente. Pela ideia equivocada de que todo o presente é carente, de que todo o presente pede um irmão gêmeo, de que todo presente reivindica um par para dançar.

Mas não existe essa obrigação, ela é inventada, a reciprocidade não é automática ou necessária.

O amor é uma corrente que vai e volta, uma eletricidade absolutamente anônima. Assim como cuidado não é favor, tampouco a ternura é uma soma.

Infelizmente não pretendemos amar para não se comprometer, para não assumir a responsabilidade da troca e do envolvimento.

A raiz da dúvida é que julgamos não merecer nada, e nos incomoda a generosidade alheia. Mais do que incomoda: parece que é uma cilada, um fiado com juros.

Preferimos o amor ogro ao amor generoso.

O problema é que a gente raciocina que seremos cobrados depois, que aquilo que está sendo oferecido não é nosso, é emprestado. Porém, amor não é empréstimo, e sim doação. Amor não é aluguel, não é viver de favor, e sim residência fixa.

O medo da cobrança estraga o amor, forma paranoia, alimenta desconfianças.

A alegria vira pressão que vira tristeza. E qualquer acontecimento alegre será impregnado de um suspense aflitivo da conta.

O contentamento não é festejado, logo se torna um fardo, uma preocupação.

O presente deixa de existir. O que se vê é a angústia da fatura em aberto.

Pensamos que seremos enganados, traídos. Só esperamos as piores notícias.

No amor, é necessário ser ingênuo, esperar a boa notícia sempre.

A boa notícia sempre.

Mesmo que ela nunca venha.

Publicado na Revista IstoÉ Gente
Colunista
Edição de agosto de 2013

Sunday, March 31, 2013



"Por que me descobriste no abandono?
Com que tortura me arrancaste um beijo?
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem morta de sono?

Com que mentira abriste meu segredo?
De que romance antigo me roubaste?
Com que raio de luz me iluminaste?
Quando eu estava bem morta de medo?

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito a mim ensinaste a vida
Quando eu estava bem,
Morta de frio"

Sunday, May 27, 2012


 

"Acorda, vem ver a lua"
O coração apertado,
libertá-lo, como um desabafo, um folego.
Como quando está-se sem ar, afogando-se, e  sobe, puxa o ar, um folego.
O sopro, como uma tempestade.
Às vezes vem, volta.
A dor que me abraça, esquenta, que as vezes volta e dorme na minha cama.
E o sono, o sonho desabafa, desaba, transpira.
Estrangulamento recheado de açucar.
Sempre, os olhos viciados. Janelas curandeiras.
Mas o horizonte anuncia apenas a abstinência.
Doces recaídas, vendavais cheirando a oriza.
* Umarmung (Embrace), 1917

Sunday, May 06, 2012

Tanta falta de linearidade. Poucos espelhos. Ou, espelhos pequenos demais.
Não sei. Forjar-se, até quando? Até quanto? Quanto escapa? Mas aparece? Quais olhos?
(A)corda, solta a corda. Puxa, puxa. Me dá a sua mão, puxa.tira.arranca.rasga.rompe.fenda.lacuna.deixaaberta,exposta,pulsando.
Mas não era o contrário?
É possível deixar só assim, aberto, sem querer tapar? sem desejar fechar? A mão abre ou fecha?
Aquece... aperta... lembrei das cortinas.

Monday, April 16, 2012


Tem coisa que eu ainda não entendo. Às vezes queria voltar, moldar. Muitas vezes. Normalmente quando páro.
"Quando páro...". Sinto falta do papel, da caneta, da letra. Mas é tão dificil mudar, voltar.
A enchurrada, a companhia. Medo de vidro quebrado descendo junto? Não. Pulso, sangue, janela, olhar,olhar,olhar,olhar.Não ver. pulso. janela.sangue.
Mas quando lembro.... queria voltar, voltar, voltar.
Na verdade lembro de várias coisas, algumas, quero voltar, outras, fugir, correr, chorar, mudar. Mas aquelas, ahh, aquelas, quero voltar, repetir, repetir, repetir, repetir... e talvez até mudar algo, a duração. Depois de tantos anos, lembrei de Bergson.... a duração. Bergson, Big Ben, ar gelado, Stratford-up-avon, David Bowie, a paint, the silence.
O que permanece? A pergunta?
"O ser humano é uma vasilha que nunca enche". Nem todo o Atlântico? Por favor... sede.cede.
A palavra não dá conta. Nem com toda rapidez do teclado. Ela escapa. Esquece. Foge. E o que fica? Onde fica?
Alguém me roubou. The man who sold the world.
Mas as vezes eu me escapo. E me perco de novo. Me devolve. Mas é quase um estalo, que mancha a língua, que vaza, que pinga, que salga, que chora, que dança.

Wednesday, February 01, 2012



Lembrei o que estava escrito naquela linha esquecida. Consigo dizer. Consigo entender o labirinto, a busca, a confusão, o esquecimento, e claro, a linha esquecida.
Consigo entender o prazer da perdição, e a decadência também. Percebo que não se trata de escolher entre "Kiss" ou "Mother and Child". É outra coisa, é o que está nessa linha esquecida. Que eu lembrei. Ou Descobri. Ou aceitei. Mas que de quando em quando, esqueço de novo.
Amarelo, dourado, laranja, tanto.
Ando fechando bastante os olhos, mas não para morrer, para lembrar. O que é lembrar?
Ando sentindo tanto, assim mesmo, no gerúndio. Mas ainda não sei o quê. Será que esqueci de novo?
Tanto gosto, tanto cheiro, macio.... "Beijar mordendo estes teus labios de fruta, ... dois cogumelos recheados com açucar". Morder, apertar, chupar, marcar.
Óla, esqueci de novo. Quero falar "I will love this love forever". Eu sinto.
Mãos, toques, cheiros, gostos, tudo.
Talvez eu prefira Schiele ao Klimt.

Monday, October 17, 2011


Tive um sonho semana passada. Daqueles que a gente acorda, e sente tão intensamente aquele buraco que sempre esteve lá, mas que passamos todo o tempo tentando tapar.
Sonhei que encontrava um dos meus últimos queridos, mas que por dentro, era outro dos últimos queridos.
Sonhei que ele, eles, me abraçavam, e que quando isso acontecia, eu descansava. Era quase um dormir, falecer, desfalecer. Descansava e voltava pra casa. Me encontrava sabe-se lá com o que, mas voltava pra casa.
Voltar pra casa. Acho que é essa a história do tal buraco aberto. A gente nunca volta pra casa. Nunca vai voltar. A casa foi levada pelo vendaval, e não adianta Doroty, não adianta bater os sapatinhos de esmeralda. Eles não existem. E a casa, o descanso, só existiam enquanto havia a mistura, a confusão, quando o genuíno tinha nada que ver com autonômia, individualidade.
Nao adianta forçar, a gente só volta pra casa se essa tal individualidade é morta. Morte. Anulação. Lembro quando me falavam "vc tem que descansar, deixar ele cuidar de você". Isso é voltar pra casa. E isso não é morte?
Mas as vezes a gente sonha, e lembra, lembra que morrer não é tão ruim assim, que dá conforto, acolhe, conforta. Dorme. O beijo do escorpião.

Saturday, August 13, 2011


Ontem questionaram o nome do meu blog. "Trégua não é tempo de afiar as facas, vc não relaxa? Trégua é tempo de calmaria..."
Há algum tempo venho procurando essa calmaria, essa vida leve. E sempre me questionando: do que estou abrindo mão por essa busca pela serenidade? No meio destes questionamentos mencionei os artistas malditos, as canções do Chico, o colorido das mãos, e as fotos dos espetáculos da Pina sempre estavam no fundo.
Nestes últimos três meses essa calmaria veio finalmente, depois de anos de "trabalho". É assim que os lacanianos gostam de chamar, não?!
Comecei a me preocupar com várias outras coisas, a colher frutos em outros lugares.
E eu esqueci. Muitas coisas, simplesmente, esqueci. Sabe, pensei agora, lembrei da pilula do brilho eterno de uma mente sem lembrança. Até parece que tomei uma dessas.
Não só esqueci, como me negava a falar sobre. Não queria. Estava tendo sentimentos leves, poderiam não ser tão emocionantes, mas eram calmos, confortáveis, e bonitos também.
Mas o despertador tocou e o brilho eterno acendeu. Sabe uma tela de pintura abstrata somada à atividade louca do artista lançando com seu pincel as tintas no branco e colorido? Minha mente. Mas e meu coração? Pela primeira vez eu o senti, e soube o que ele dizia claramente.
Fui ver uma peça da Clarice essa semana, sem saber que era dela. No meio do pranto, um conto. História de uma pessoa que abre uma geladeira e vê um coração pulsando. Depois descobre que era uma tartaruga caçada no dia anterior, sem cabeça e casco, mas ainda viva, respirando, na geladeira, e à espera do devorar.
É, talvez essa peça tenha sido o primeiro toque.
Enfim, o fato é que, acordei. Acordei e comecei a correr. Corra Lola, corra. Correr, chorar em público, falar com os outros ouvindo pelas paredes, escrever, pedir, pedir, pedir.
Nunca pedi. Mas dessa vez pedi. Sem pensar.
Consegui, mas continuava a correr. Fui empurrada, impulsionada, não dava pra parar.
Sentei e comecei a "trabalhar". Tentar correr atrás das coisas que não tinha falado, mas eu não estava sentindo, como ia falar?
Mas falei tanto, e o real trouxe seus impedimentos, não absolutos, mas influentes. Então era como se eu tivesse me despindo. Tirei o casaco vermelho, a calça laranja, o sapato azul, a blusa amarela, a calcinha branca. E não foi leve, foi triste. Que seja, uma tristeza leve, mas ainda sim triste.
E fique lá, real, nua, preto e branca. Leve, e triste. E com toda a realeza da realidade.
No final, uma coisa realmente inesperada, mas pensada há muito tempo (3 anos). Recebi um convite.
"Agora você pode deitar no divã".
Era isso que eu queria?

Wednesday, July 27, 2011


"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa". (Chico Buarque/ Rui Guerra)

Friday, June 17, 2011


"Eu
sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia
desde início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto,
que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor,
tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase
pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem
pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te
trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repende,
naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e
de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha
vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei
com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos
iniciado nada e eu já amadirecia o fim, e assim foi durante s dois anos
em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de
paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando
que tudo isso era maturidade." (Marta Medeiros)

Monday, January 03, 2011





Pulsa tanto que parece explodir...
Chico, quero te calar. E não quero.
Tantos quereres. Mas no fundo, o que existe, é o inexistente. Ou, o fantasioso. Fantasmagorico?
Ainda.
Olhos ansiosos, ansiantes.
Sempre, sempre. Desde há muito...
Forma, fórmula, que de tempos em tempos é preenchida. Mas que no fundo se trata apenas de mim.

"Through dangers untold, and hardships unnumbered, I have fought my way here to the castle, beyond the Goblin City, to take back the child that you have stolen. For my will is as strong as yours, and my kingdom is as great...
...For my will is as strong as yours, and my kingdom as great...
Damn, I can never remember that line..."

Eu ainda não consigo dizer o que está escrito nesta linha esquecida...

Saturday, October 09, 2010


Calem o Chico.

Friday, November 27, 2009


"vem, mas vem sem fantasia, que da noite pro dia você não vai crescer..."

Tuesday, October 13, 2009






É de mim que se trata.

Uma foto de Café Müller para falar de mim. Desse encontro, ou reencontro, com

com a falta.

Falta de tanto mim por tanto eu.

Não se trata de outro, trata-se de mim.

De mim, não de eu.

De mim preto e branco. Sem a cor que eu coloco.

De mim preto e branco. Sem as mãos pintadas.

De mim dormindo, que o Sartre não fala.

De mim preto e branco, que eu não tenho muito o que falar.

De mim sem cor, que os olhos não vêem.

Que eu encontro quando não percebo e, que quando percebo, me escapa.

De mim. Não de eu. Nem do outro.

Thursday, September 03, 2009

O Poço


Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.


Pablo Neruda

Sunday, August 09, 2009


"Você precisa ter mais fé!". Como isso é dificil. Fé no quê? Na vida? Mas e o que fazer com esses olhos viciados? Não é possível arrancá-los e comprar novos. São meus os olhos. Eu vi. vi.
Há interpretação no olhar? Há peso? Quero os olhos calmos novamente. Calmos e lúcidos. Será que o peso da vida está na carga com que os olhos olham? Voltou o mesmo dos meus olhos, quero aquilo de outro. Não quero essas imagens, não quero. Mas também não quero ter que arrancar os olhos para parar de vê-las. Será possível domar o olhar? Será possível o olhar domar o cheiro, o gosto, o toque?
O que sobre sobra de nós nisso tudo? Em que espaço a gente se acha nessa confusão do sentir? Como buscar olhos límpidos se há tanto gosto no cheiro e tanta cor nas mãos? Se isso tudo já foi manchado com essa parte da vida que não nos cabe, como buscar olhares leves?
Leveza, cor, peso.... Há peso, há peso! As mãos não estão vazias, nem limpas.......
nem sujas.

Sunday, August 02, 2009

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Não vou filosofar em cima, a realidade é sangrenta.
Pra quem acha que a redução da maioridade penal é a solução.

http://www.youtube.com/watch?v=6CteK78_eeE

Monday, July 06, 2009

Luto Eterno




Ela não podia ir. É daquelas que nunca poderia ir. Deveria ficar! Sempre.


Tanta sensibilidade, tanta criatividade, tanto sentimento, o ausente era presente, era movimento, era dança, era teatro, era vida. Ela era arte. Como pode, ir-se assim? Não, não, não.


Não deu tempo da última dança. Falta constante.


O que vai ser da dança? Dos palcos? Do nosso coração?


Pina, Pina, Pina.


O movimento ficou contido.


Levaram-na. Esqueceram de avisar que ela era a pessoa errada, confundiram-na. Não era para a terem levado, ela não é daquelas que vai, ela fica, ela dança, ela se joga, desmaia, se entrega, ela fica, ela não vai. Foi um engano. Devolvam-na.


Ela quer ficar.


Não precisamos desejar que o mundo pare, ele parou. Ela foi e ele parou.


A cortina está aberta, mas pararam a dança.


Pina Bausch, Pina.

Sunday, June 21, 2009




"O que fazer comigo"?


A Grande Pergunta.


Comigo é eu junto com outro eu, ou é só eu?


Há um plural nesse "comigo"?


Há alguma segurança de unidade? E se houver unidade, há segurança?


As vezes parece que tem algo que fica, que fica com outro, que a gente deixa com o outro.


E se a gente quiser resgatar? Se a gente quiser pegar de volta? Dá?


Cindido. Eternamente cindido e faltante?


É essa a eterna falta? Há falta porque há o outro? Porque o outro toma algo que não é dele? Que é nosso, que era nosso.


"O que será que me dá"?


Que desejo de retorno, que desejo de eu ausente.

Sunday, June 14, 2009


"Há sempre algo de ausente que me atormenta"


Camille Claudel

Friday, May 01, 2009



Volta. Retorno. Meu. Eu. Aquela.

Relendo, lembrei-me. Saudei-me. Quis-me.

Por quê tirar da vida essa parte que te constitui? Por quais razões deixar para a arte isso te que soma, que te faz, que é vida?

Por quê abafar Ahtaud, Sade, Woolf e Claudel? Pra quê patologizar a vida?

Que mania de sanidade que te mata. Que vida morta essa que te resta. Arte como consolo? Arte para os instintos? Ai Freud, és belo por não negativizar o abismo, mas por quê afastá-lo se ele lhe é constituinte? Arte como consolo?

Vida trágica. Vida viva e vívida. Vida trágica.


"A tragédia nos palcos não me basta, preciso trazê-la para minha vida" (Arthaud)

psicanalizar-se?

Monday, January 19, 2009




As such a sad love


Deep in your eyes, a kind of pale jewel


Open and closed within your eyes


Ill place the sky within your eyes


Theres such a fooled heart


Beating so fast in search of new dreams


A love that will last within your heart


Ill place the moon within your heart


As the pain sweeps through


Makes no sense for you


Every thrill has gonst


Wasnt too much fun at all


But Ill be there for you


As the world falls down


Falling(as the world) falling down


Falling in love


Ill paint you mornings of gold


Ill spin you valentine evenings


Though were strangers till now


Were choosing the path between the stars


Ill leave my love between the stars


As the pain sweeps through


Makes no sense for you


Every thrill has gone


Wasnt too much fun at all


But Ill be there for you


As the world falls down


Falling(as the world falls)


Falling


As the world falls down


Falling


Falling


Falling


Falling in love


As the world falls down


Falling


Falling


Falling


Falling in love


As the world falls down


Makes no sense at all


Makes no sense to fall


Falling


As the world falls down


Falling


Falling


Falling in love


As the world falls down


Falling


Falling


Falling in love


#música: David Bowie
foto: espetáculo Pina Bausch

Sunday, October 05, 2008




“Não era mais uma menina com um livro(...)”.
Clarice Lispector


foto: E. Schiele


Monday, September 01, 2008


"A aspereza da ética lacaniana é que ela exige de nós o abandonocompleto dessa referência*. Sua aposta suplementar é que essa abdicação não vai nos lançar à insegurança ética ou ao relativismo, não vai destruir os fundamentos da atividade ética. Mais do que isso, sua aposta é a de que a renúncia da garantia de algum grande Outro equivale à própria condição de uma ética realmente autônoma".


*de que existe o Grande Outro; referência de "Julgamento Final".


Slavoj Zizek, Não existe Grande Outro. Tradução: Ronaldo Manzi e Eduardo Socha

Thursday, August 28, 2008


O que será que me dá

Que me bole por dentro, será que me dá

Que brota à flor da pele, será que me dá

E que me sobe às faces e me faz corar

E que me salta aos olhos a me atraiçoar

E que me aperta o peito e me faz confessar

O que não tem mais jeito de dissimular

E que nem é direito ninguém recusar

E que me faz mendigo, me faz suplicar

O que não tem medida, nemnunca terá

O que não tem remédio, nem nunca terá

O que não tem receita


O que será, que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia

Que nem dez mandamentos vão conciliar

Nem todos os ungüentos vão aliviar

Nem todos os quebrantos, toda a alquimia

Que nem todos os santos, será que será

O que não tem descanso, nem nunca terá

O que não tem cansaço, nem nunca terá

O que não tem limite


O que será que me dá

Que me queima por dentro, será que me dá

Que me perturba o sono, será que me dá

Que todos os tremores me vêm agitar

Que todos os ardores me vêm atiçar

Que todos os suores me vêm encharcar

Que todos os meus nervos estão a rogar

Que todos os meus órgãos estão a clamar

E uma aflição medonha me faz implorar

O que não tem vergonha, nem nunca terá

O que não tem governo, nem nunca terá

O que não tem juízo
( O que será /À flor da pele - C.B.H)

Monday, June 30, 2008

* "Do I move you" - Nina Simone


Sabe, queria (ou quero) a queda sem fim, o gosto viciante, o toque que corta, o olhar que rasga. As pontas dos dedos que seguram todo o impulso do corpo pulsante. O salto. Só o salto. Subir num lugar muito muito alto, parar, olhar para baixo, deixar as ondas vibrantes invadir isso que existe. Segurar a respiração. Aliás, por que prender a respiração nos momentos de maior emoção? Acho que é porque, nestes momentos, quer-se o que ainda não se tem e não se sabe, por isso, vive-se a expectativa; expectativa do desconhecido. Então é isso? Quando não conhecemos algo e supomos a grande emoção que trará, paramos de respirar? Prende a respiração, olha para baixo, mas fecha os olhos. Imagina lá embaixo. Porque não respirar e olhar para baixo? Porque é racional! Porque escolhemos perder a razão e deixar que algo não controlável e não nós nos comande. Incrível. Nos deixamos lá em cima! Mas algo cai. Nos deixamos e nos jogamos. E o caminho? A queda? Não há controle: magnífico! Aceitamos tudo que é nosso mas que não depende de nós. Chamar isso de instinto? Acho que não. O que é? Não sei. Mas também não quero saber. Quero cair. Cair e me deixar lá em cima. Não quero pensar a conseqüência, o fim, o chão. Quero a queda.
*foto: um dos espetáculos de Pina Bausch

Tuesday, November 13, 2007


“Bom, vão falar do Iraque”, pensei. Refletir (quase escrevi repetir) escolhas passadas. “E pensar sobre o rumo a ser tomado” alguém me disse. Engano esperado.
O filme é um porre e pretensamente engajado.
Há diálogos paralelos, independentes e ocorridos ao mesmo tempo. Um senador que conta o novo plano de ataque ao Afeganistão a uma jornalista. Dois jovens universitários, um negro e outro latino, que se alistam no exército estadunidense com a desculpa de fazer ambos sua parte para um mundo melhor e conseguir fundos para pagar o financiamento da faculdade. E um professor que questiona seu aluno de ciência política e quer saber onde foi que “o perdeu”, ou melhor, onde foi que o jovem parou de acreditar na política.
Os diálogos são em sua maior parte fracos. O estereótipo do senador estadunidense que quer levar o velho lema da “paz ao povo americano” já é batido. O tema de que à guerra vão apenas aqueles que não são importantes politicamente à nação é real, mas também um velho conhecido dos círculos de filosofia e ciências sociais. Além do que aquele discursinho barato entre o professor e o aluno é pura balela.
Mas enfim, engoli tudo goela abaixo e assisti. Esperei um desenrolar diferente do que escuto desde a época do cursinho em 2001. Mas nada. A única coisa que faz não perder todo o filme é o personagem de Meryl Streep, o único que pode trazer algum tipo de reflexão relevante. Seu personagem é uma repórter que um dia apoiou a Guerra contra o terrorismo e hoje critica esse discurso. A imprensa que um dia vendeu a Guerra, mas que agora a condena. Esse personagem se vê na posição de cometer esse erro novamente e por isso diante de uma escolha ética diante do papel ideológico que a mídia representa. Publicar ou não a matéria sobre a nova estratégia de promoção da paz ao povo “americano”, sabendo que isso seria um meio de aceitação popular daquele. Constatação da não neutralidade dos meios de comunicação e a tomada de posição ética diante disso.
Agora, todo o resto é batido. Depois de Michael Moore não dá mais para fazer uma abordagem falsamente crítica da política estadunidense. Ora, enquanto todo o mundo já fez esse tipo de crítica há seis anos, somos obrigados a engolir a reflexão pobre e tardia do primo rico? Não, recuso-me. Todo mundo já falou das falhas da Guerra, das desculpas esfarrapadas, do petróleo, do envolvimento das famílias Sadam e Bush, do alistamento na Guerra apenas daqueles que são os indesejados sociais... Se isso agora tem importância para eles, se é agora que eles estão percebendo os erros do passado, eles que vão fazer terapia, e não fazer cinema antiquado.
Zizek fala que o sistema ele mesmo dá espaço para que seja criticado; é comum à própria ideologia liberal os campos de abertura nos quais essa ideologia é atacada. Mas isso, diz o filósofo, é a própria condição de manutenção deste modelo de política, a falsa idéia de que no mundo cabem todos, até os que não estão satisfeitos. Michael Moore é a prova disso, enquanto produto da sociedade estadunidense. Já o filme de Tom Cruise não. Leões e cordeiros é equivocadamente político, mas é certeiramente ultrapassado.

Monday, October 29, 2007

O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração


Teresinha
Composição: Chico Buarque/Maria Bethânia

Thursday, October 04, 2007

still.......
again....

Monday, July 23, 2007


Derramo-me uma boa dose de lirismo, desarmo-me.

Sem poeta, sou musa. Musa eu.

Inspiro-me.

Desnuda.

Confesso, saudade.

De tudo. Não daquilo que não vivi.

Do que vivi.

Daqueles em quem me confundi.

Abismo que me jogo. Abismo agora.

Sem conforto, doloroso, prazeroso.

Sunday, June 17, 2007


"Arbeit Macht Frei"

Saturday, June 16, 2007




"Los nadies, los hijos de nadie, los dueños de nadie.
Los nadies: los ningunos, los ninguneados, corriendo
la lebre, muriendo la vida, jodidos, rejodidos:
Que non son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino superticiones.
Que no hacen arte, sino artesania.
Que no pratican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino brazos.
Que no tienen nombre, sino numero.
Que no figuram en la historia universal, sino en la crônica roja de la prensa local.
Los nadies, que custan menos que la bala que los mata".
Eduardo Galeano (El libro de los abrazos, p. 59, 1989)

Sunday, April 29, 2007


Queria só dizer, novo.

Wednesday, April 04, 2007

Hoje sou só licença poética!


04/04/2.007!!!!!!!!!!

É hoje. Depois da frustração de não poder vê-lo em São Paulo, e ver meu ingresso nas mãos de outra pessoa, vou vê-lo da segunda fila! Meo Deus.

Não sei se meu estoque de lágrimas está confiável ou se vou explodir. Não sei se meu amigo vermelho vai me suportar e me cuidar, mas hoje só serei Chico.

CHICO BUARQUE.

Nele espero o amor, bandido ou romantico. Com ele meus amores foram intensos, tanto os bandidos como os romanticos. Tanto os breves como o que insistiu em não cessar. Nenhum frustrado, todos vividos. Ao pensá-lo não posso admitir que a esperança nasceu morta, nem julgar as amélias. Com ele espero à noite de banho tomado. imagina... imagina... sete vidas...coloridas...
Com ele eu sou bréguissima!!!!

Eu jé me arrastei, já arranhei, chorei. Triste e lindo. Reclamei tantas vezes baixinho. Já me vinguei adorando. Já morri de ciúme, quase enlouqueci, mas como era de costume, obedeci. Já cheguei ao encontro chorando, já contei das noites que varei no escuro procurando, ganhei marcas lutando contra o rei. Apesar de em todas as vezes não ter dado o prazer de me ver chorar.
Já pedi pra soltar as unhas do meu coração.Já caminhei desesperada e nua.
Já perdoei, perdoei e perdoei. Magoei por ser cruel e outras vezes por ter medo. Fiz do ponto final meu melhor amigo. E no outro dia, a vida contiua.
Sim, eu viro uma descontrolada e confesso tudo, não sei mais o que é razão.
Até me dou a licença de misturar o Neruda aqui no meio e confessar que eu vivi. E quero mais.
É hoje. Hoje me dou a licença de ser mais adolescente que o normal. De negar o que sempre afirmo, do tal do sentimento racional.
Hoje me dou a licença de ser Bárbara, Beatriz, Terezinha, a mulher do Folhetim, Joana Francesa, Angélica, Cecília, Ana, Fulana, Maria, Rita, Marieta, Carolina, enfim, hoje só sou mulher do Chico.

Thursday, March 22, 2007


Sentir o que não se sente mais. Lembrar daquilo que você já sentiu tantas vezes, tão profundamente, e de repente uma pontinha daquele sentimento aponta de novo. Mas é a apenas a lembrança do que um dia foi sentido. É a abstração do passado no mesmo lugar onde ele acontecia. No seu corpo, na sua mente, na sua pele. Mas é uma lembrança, que agora, não te impede mais de viver.

É a lembrança do sentimento, não da pessoa. É a saudade do que você sentia, das suas reações corporais, mentais (ou amentais), daquelas ondas invisíveis e inexplicáveis, daquela metáfora do navio que só faz circulos, circulos, circulos. É a memória de algo que só pertence a você, que é só seu e que nunca alguém poderá sabê-la, pois nunca poderá atingi-lá, alcançá-la.

Um sentimento ou sensação que te soma hoje, e que às vezes buscá-lo no passado suspenso

Thursday, March 15, 2007


Sentimento de liberdade. Será? Será possível ser apenas uma abstração moderna?

Saturday, March 03, 2007

"Futuros Amantes"


“(....)O amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio

num fundo de armário,

na posta-restante,

Milênios,milênios

No ar



E quem sabe então

o Rio será

alguma cidade submersa.

Os escafandristas virão

explorar sua casa,

seu quarto,suas coisas,

sua alma,desvãos


Sábios em vão

tentarão decifrar

o eco de antigas palavras,

fragmentos de cartas,poemas,

mentiras,retratos,

vestígios de antiga civilização”


(Chico Buarque)

Wednesday, February 28, 2007


"De repente, não mais que de repente", lembrei-me daquela janela. Aquela. Aquela pela qual eu olhava o mundo, pela qual via todas as possibilidades, todos os caminhos , mas que escolhia ficar apenas no cômodo. Quantas tardes, quantas noites de reflexão ativa, aguniante e extasiada...
Mesmo aberta ou fechada, a olhava. Olhava querendo fugir mas "rompia com o mundo", olhava achando estar sendo observada, olhava querendo compor o cenário.
Eu me encontrava na dúvida, e me perdia. Meu silêncio me bastava, não só a mim, porque eu estava lá. Todas as estações e estados. A janela me olhando. Não havia consolo, apenas as maditas escolhas, então eu escolhia.
A porcaria da liberdade cárcere tão manjada.
"Vem, mas vem sem fantasia, que da noite pro dia você não vai crescer".

Friday, January 19, 2007

"Virei outro. Tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não aguentei. Mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados".

Gabriel García Márquez, "Memória de minhas putas tristes".
Pág. 74-75, 12ª ed., Editora Record, RJ:2006

Monday, October 16, 2006



Finalmente encontrei o acesso novamente. Uma passagem rápida para o outro lado do arco-íris... You gave me three cigarettes to smoke my tears away.
Que mania louca essa de tentar se fazer compreender, que mania louca essa de se tornar inteligível. Quero só a mania louca. Sem o complemento. Quero a mania louca. Como é bom as vezes se afundar, tentando se achar naquela perdidão e ao mesmo tempo estar mais consigo do que nunca. Anfundar-se, afundar-se, afundar-se.... ahhh, que sensação de perdição. Alucinante, alucinógenos, alienígenas, eu, ar, flutuar, gravitação...
Como é bom aquela onda branca florescente que se move e tem uma testura única que surge lá no peito, trava no pescoço, fica lá. Continua lá. Uma agonia que precisa se expandir. Mas continua lá. Até que se transforma, sobe para os olhos, dói a vista, faz cócegas no nariz, e fica lá, não menos intensa. Expande se limitando. Fica lá. Explode. O rosto fica molhado, úmido. A sensação da lágrima, a carícia do salgado. Intensidade contida intensa.
Necessidade que independe do gole. Necessidade que é curada quando precisa. Necessidade. Pronto. Sem complemento.
Onda que vem, que continua na garganta. Presa lá. Fica lá.
What am I ?"A whisper in your ear?A piece of your cake?"

Wednesday, September 06, 2006

Clichês


Intimidade ou o novo?
A primeira.
Ou o caminho?
O molde.
Eu.
Eu me quero como quero.
Como me quer?
O molde.
Moldo.
Integridade. A partir de que parâmetro?
Está bom assim? Eu posso. Mas quando quero?
O molde.
Por quem?
Quando?
O molde.


Foto: Carla D´Almeida
Lopes

Wednesday, August 02, 2006


EU MORDO.

Monday, July 10, 2006

"É claro, por exemplo, que a própria idéia de posse singular só tem sentido possível a partir da condição original do existente. Para que apareça é preciso que haja, primeiramente, no sujeito uma tendência a se afirmar na sua singularidade radical, uma afirmação de sua existência autônoma e separada. Compreende-se que essa pretensão tenha permanecido subjetiva, interior, sem verdade, enquanto o indivíduo não possuía os meios práticos de satisfazê-la objetivamente: sem ferramenta adequada, não percebia, a princípio, se poder sobre o mundo, sentia-se perdido dentro da Natureza e da coletividade, passivo, ameaçado, joguete de forças obscuras; somente indentificando-se com o clã é que ousava pensar-se: o totem, o mana, a terra eram realidades coletivas. O que a descoberta do bronze permitiu ao homem foi, mediante a prova de um trabalho duro e produtivo, descobrir-se como criador; dominando a natureza, não mais a teme e, em face das resistências vencidas, tem a audácia de se encarar como atividade autônoma, de se realizar na sua singularidade (1). Mas essa realização nunca teria ocorrido se o homem não a tivesse originalmente desejado; a lição do trabalho não se inscreveu num sujeito passivo: o sujeito forjou-se a si próprio e se conquistou, forjando seus instrumentos e conquistanto a terra. Por outro lado, a afirmação do sujeito não basta para esxplicar a propriedade: no desafio, na luta, no duelo singular, cada consciência pode tentar alcançar a soberania. Para que o desafio tenha assumido a forma de potlach, isto é, de uma rivalidade econômica, para que a partir daí o chefe, em primeiro lugar, e os membros do clã, em seguida, tenham reinvidicado bens particulares, é preciso que se encontre no homem outra tendência original. (...)o existente só se apreeende alienando-se; ele se procura através do mundo sob uma forma exterior e que faz sua. No totem, no mama, no território que ocupa é sua existência alienada que o clã encontra; quando o indivíduo se separa da comunidade, ele reclama uma encarnação singular: o mana individualiza-se e no chefe e, em seguida, em cada indivíduo e, ao mesmo tempo, cada um tenta apropriar-se de um pedaço de terra, de instrumento detrabalho, de colheitas. Nessa riquezas que são suas, é ele próprio que o homem reencontra porque nelas se perdeu; compreende-se, então, que possa atribuir-lhes uma importância tão fundamental quanto à sua própria vida. Então o interesse do homem pela sua própria propriedade torna-se uma relação inteligível. Mas vê-se bem que não é possível explicá-la unicamente pela ferramenta: é preciso captar toda a atitude do homem armado com a ferramenta, atitude que implica numa infra-estrutura ontológica.
(...)consideraremos que o corpo, a vida sexual, as técnicas só existem concretamente para o homem na medida em que os apreende dentro da perspectiva global de sua existência. O valor da força muscular, do falo, da ferramenta só se poderia definir num mundo de valores: é comandado pelo projeto fundamental do existente transcedendo-se para o ser."

"(1) Gaston Bachelard em La terre et les rêveries de la volonté realiza o estudo sujestivo do trabalho do ferreiro. Mostra como, pelo malho e a bigorna, o homem afirma-se e separa-se. 'O instante do ferreiro é um instante concomitantemente isolado e ampliado; promove o trabalhador ao domínio do tempo pela violência de um instante', pág. 142, e mais adiante: 'O ser forjando aceita o desafio do universo erguido contra ele'".

SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir. Pág 76/77 e 80.
Simone rebatento as noções, enfocadamente do materialismo histórico, e da psicanálise sobre o estudo da mulher.

Monday, June 12, 2006

Sait-on de quoi on souffre?

Wednesday, June 07, 2006


Eu sou o que escolho ser e mais o que não escolho ser. Não escolho minha liberdade, do que resto me escolho por completo. Escolho me alienar no outro para me encontrar e me afirmar. Mas às vezes escolho embarcar num navio e ser minha própria referência. Escolho gritar, gritar, gritar... Chorar, sorrir. Escolho... Existo, sou livre e você... Não sei quem é. Eu gosto.
Gosto do cheiro da grama que acaba de ser cortada, do cheiro da chuva que está por vir, do cheiro do livro novo ou velho e usado. Do aperto no coração minutos antes de fazer algo errado (ou certo). Do dedo áspero q toca e corta meu rosto. Do riso da despedida, das lágrimas do reencontro e do tremor do novo. Do beijo que sempre beijo. Da língua no canto da boca. Do suor na testa e no peito. Do vento roçando meus braços e despenteando meu cabelo já despenteado. Gosto da água quente tocando meus pés gelados. Gosto de quando meu coração fica frio e logo queima loucamente pelo novo. Gosto do novo, do velho, e do agora que não consigo ver. Gosto de sentir o que não sei. Gosto de não saber. Gosto do gosto da cachaça e do tambor da música que penetra no meu ser e que me faz me perder em mim e viajar em Dionísio. Gosto de saber que todos podemos enlouquecer e que na verdade já é tarde de mais. Gosto do erótico, de olhar, do romântico, do acariciar, do pecado, de morder - do eterno encaixe. Gosto de pensar que o mundo vai acabar agora e dele não acabar e de eu me sentir perdida por isso. Gosto de pensar que não sobreviverei e ter certeza de que não acredito nisso. Gosto de receber ajuda, de ser pega no colo mesmo sem precisar. Gosto de olhar no olho e me sentir confortada, mesmo sabendo que o único conforto sou eu mesma. Gosto de saber que não há resposta, e mesmo assim querer saber qual é a pergunta.

#música: In the dark, Nina Simone

Thursday, June 01, 2006


"Si unimos todo en una misma masa de nación, al paso que extinguimos el fomento de los disturbios, consolidamos más nuestras fuerzas y facilitamos la mutua cooperación de los pueblos a sostener su causa natural. Divididos, seremos más débi­les, menos respetados de enemigos y neutrales. La unión bajo un solo gobierno supremo, hará nuestras fuerzas, y nos hará formida­bles a todos"
Simón Bolívar

Monday, May 22, 2006


Sempre odiei qualquer tipo de saudosismo. Sentimento inútil, não serve de nada. Mas hoje estou tão assim.
Estou tão com saudade do choro no muro aos 11.
Estou tão com saudade do cheiro de mata de quando tinha 10.
Estou tão com saudade do cheiro da chuva que esperava aos 9.
Estou tão com saudade do cheiro da cozinha de quando tinha 8.
Estou tão com saudade de mim ontem. De mim outra.
Êta barquinho que vai e não atraca.
Não sei porque lembrei de pão de queijo. Quer um? Eu não quero, obrigada.
Meu cabelo sem tintura, minha mão sem esmalte, minhas pernas não depiladas. Não precisava, eu tinha 7.
Gabi sendo segurada na janela pela mãe, chorei, 6.
Sorvete de chiclete, na pracinha do Rudge, meu vô sentado no banquinho, 5.
Nota do Indio, 4.
Bota branca da mãe, 3.
Topo Gigio?2?
Pés do fusca branco e do caminhão indo pra Tupã?
Eu era aquela, o q me fez me escolher agora? É como se fosse outra, mas não. A duração é a mesma, é minha. Essa é minha segurança?
Era esse o projeto

Wednesday, April 19, 2006

A mim apenas

...talvez devesse riscar corpo todo, e ver a cor do sangue e pensar sobre isso, ou talvez, com ele, escrever poemas sobre o não e o sim da existencia, da minha existencia, porque é só o q posso fazer, me sentir, a mim mesma, só a mim.

"Lord, can you hear me now?"
música: Cold water (Damien Rice)

Tuesday, April 18, 2006

Chanson Triste



"Chanson juste pour toi,
Chanson un peu triste je crois,
Trois temps de mots froissées,
Quelques notes et tous mes regrets,
Tous mes regrets de nous deux,
Sont au bout de mes doigts,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson d'amour fané,
Comme celle que tu fredonnais,
Trois fois rien de nos vies,
Trois fois rien comme cette mélodie,
Ce qu'il reste de nous deux,
Est au creux de ma voix,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson en souvenir
Pour ne pas s'oublier sans rien dire
S'oublier sans rien dire "

Carla Bruni

Thursday, April 06, 2006

My peace of Mind

"peace of mind", uma trégua, mas que trégua? Brecht diria que trégua é o tempo de afiar as facas.
Escolher-se enquanto desistência, pegar o resto que te sobra e te selecionar. Ser anormal dentro da anormalidade, o que não significa normalidade; quanta baboseira essa verborréia que naum leva a lugar nenhum; mas por deveria levar?
Renunciar a parte de si que quer apenas ficar tonto, quer quer apenas rodar e ver as coisas de forma destorcida. Quem disse que eu quero ver a extensão onde as coisas realmente são? Ceder aos prazeres comuns e imediatos, deixar sentir sua pele se arrepiar sem que precise imaginar o que se passa dentro das céulas. E tomar uma taça, ou três, ou cinco, para facilitar o contato com o não você que é mais você, ou não.
É isso, rebolar e ceder a porra da indústria cultural, ou massagear o ego e ser um intelectual de bosta.