
Tive um sonho semana passada. Daqueles que a gente acorda, e sente tão intensamente aquele buraco que sempre esteve lá, mas que passamos todo o tempo tentando tapar.
Sonhei que encontrava um dos meus últimos queridos, mas que por dentro, era outro dos últimos queridos.
Sonhei que ele, eles, me abraçavam, e que quando isso acontecia, eu descansava. Era quase um dormir, falecer, desfalecer. Descansava e voltava pra casa. Me encontrava sabe-se lá com o que, mas voltava pra casa.
Voltar pra casa. Acho que é essa a história do tal buraco aberto. A gente nunca volta pra casa. Nunca vai voltar. A casa foi levada pelo vendaval, e não adianta Doroty, não adianta bater os sapatinhos de esmeralda. Eles não existem. E a casa, o descanso, só existiam enquanto havia a mistura, a confusão, quando o genuíno tinha nada que ver com autonômia, individualidade.
Nao adianta forçar, a gente só volta pra casa se essa tal individualidade é morta. Morte. Anulação. Lembro quando me falavam "vc tem que descansar, deixar ele cuidar de você". Isso é voltar pra casa. E isso não é morte?
Mas as vezes a gente sonha, e lembra, lembra que morrer não é tão ruim assim, que dá conforto, acolhe, conforta. Dorme. O beijo do escorpião.

0 Comments:
Post a Comment
Subscribe to Post Comments [Atom]
<< Home