Ontem questionaram o nome do meu blog. "Trégua não é tempo de afiar as facas, vc não relaxa? Trégua é tempo de calmaria..."
Há algum tempo venho procurando essa calmaria, essa vida leve. E sempre me questionando: do que estou abrindo mão por essa busca pela serenidade? No meio destes questionamentos mencionei os artistas malditos, as canções do Chico, o colorido das mãos, e as fotos dos espetáculos da Pina sempre estavam no fundo.
Nestes últimos três meses essa calmaria veio finalmente, depois de anos de "trabalho". É assim que os lacanianos gostam de chamar, não?!
Comecei a me preocupar com várias outras coisas, a colher frutos em outros lugares.
E eu esqueci. Muitas coisas, simplesmente, esqueci. Sabe, pensei agora, lembrei da pilula do brilho eterno de uma mente sem lembrança. Até parece que tomei uma dessas.
Não só esqueci, como me negava a falar sobre. Não queria. Estava tendo sentimentos leves, poderiam não ser tão emocionantes, mas eram calmos, confortáveis, e bonitos também.
Mas o despertador tocou e o brilho eterno acendeu. Sabe uma tela de pintura abstrata somada à atividade louca do artista lançando com seu pincel as tintas no branco e colorido? Minha mente. Mas e meu coração? Pela primeira vez eu o senti, e soube o que ele dizia claramente.
Fui ver uma peça da Clarice essa semana, sem saber que era dela. No meio do pranto, um conto. História de uma pessoa que abre uma geladeira e vê um coração pulsando. Depois descobre que era uma tartaruga caçada no dia anterior, sem cabeça e casco, mas ainda viva, respirando, na geladeira, e à espera do devorar.
É, talvez essa peça tenha sido o primeiro toque.
Enfim, o fato é que, acordei. Acordei e comecei a correr. Corra Lola, corra. Correr, chorar em público, falar com os outros ouvindo pelas paredes, escrever, pedir, pedir, pedir.
Nunca pedi. Mas dessa vez pedi. Sem pensar.
Consegui, mas continuava a correr. Fui empurrada, impulsionada, não dava pra parar.
Sentei e comecei a "trabalhar". Tentar correr atrás das coisas que não tinha falado, mas eu não estava sentindo, como ia falar?
Mas falei tanto, e o real trouxe seus impedimentos, não absolutos, mas influentes. Então era como se eu tivesse me despindo. Tirei o casaco vermelho, a calça laranja, o sapato azul, a blusa amarela, a calcinha branca. E não foi leve, foi triste. Que seja, uma tristeza leve, mas ainda sim triste.
E fique lá, real, nua, preto e branca. Leve, e triste. E com toda a realeza da realidade.
No final, uma coisa realmente inesperada, mas pensada há muito tempo (3 anos). Recebi um convite.
"Agora você pode deitar no divã".
Era isso que eu queria?

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