Luto Eterno

Ela não podia ir. É daquelas que nunca poderia ir. Deveria ficar! Sempre.
Tanta sensibilidade, tanta criatividade, tanto sentimento, o ausente era presente, era movimento, era dança, era teatro, era vida. Ela era arte. Como pode, ir-se assim? Não, não, não.
Não deu tempo da última dança. Falta constante.
O que vai ser da dança? Dos palcos? Do nosso coração?
Pina, Pina, Pina.
O movimento ficou contido.
Levaram-na. Esqueceram de avisar que ela era a pessoa errada, confundiram-na. Não era para a terem levado, ela não é daquelas que vai, ela fica, ela dança, ela se joga, desmaia, se entrega, ela fica, ela não vai. Foi um engano. Devolvam-na.
Ela quer ficar.
Não precisamos desejar que o mundo pare, ele parou. Ela foi e ele parou.
A cortina está aberta, mas pararam a dança.
Pina Bausch, Pina.

0 Comments:
Post a Comment
Subscribe to Post Comments [Atom]
<< Home