trégua e facas

"Tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me de que sou sentimental. Mas reconheço, ao medir-me, que tudo isso é pensamento, que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada. E a única vida que temos, é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada. Qual é a verdadeira e qual a errada, ninguém nos sabe explicar; E vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar". Fernando Pessoa

Sunday, May 27, 2012


 

"Acorda, vem ver a lua"
O coração apertado,
libertá-lo, como um desabafo, um folego.
Como quando está-se sem ar, afogando-se, e  sobe, puxa o ar, um folego.
O sopro, como uma tempestade.
Às vezes vem, volta.
A dor que me abraça, esquenta, que as vezes volta e dorme na minha cama.
E o sono, o sonho desabafa, desaba, transpira.
Estrangulamento recheado de açucar.
Sempre, os olhos viciados. Janelas curandeiras.
Mas o horizonte anuncia apenas a abstinência.
Doces recaídas, vendavais cheirando a oriza.
* Umarmung (Embrace), 1917

Sunday, May 06, 2012

Tanta falta de linearidade. Poucos espelhos. Ou, espelhos pequenos demais.
Não sei. Forjar-se, até quando? Até quanto? Quanto escapa? Mas aparece? Quais olhos?
(A)corda, solta a corda. Puxa, puxa. Me dá a sua mão, puxa.tira.arranca.rasga.rompe.fenda.lacuna.deixaaberta,exposta,pulsando.
Mas não era o contrário?
É possível deixar só assim, aberto, sem querer tapar? sem desejar fechar? A mão abre ou fecha?
Aquece... aperta... lembrei das cortinas.