trégua e facas

"Tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me de que sou sentimental. Mas reconheço, ao medir-me, que tudo isso é pensamento, que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada. E a única vida que temos, é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada. Qual é a verdadeira e qual a errada, ninguém nos sabe explicar; E vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar". Fernando Pessoa

Monday, October 16, 2006



Finalmente encontrei o acesso novamente. Uma passagem rápida para o outro lado do arco-íris... You gave me three cigarettes to smoke my tears away.
Que mania louca essa de tentar se fazer compreender, que mania louca essa de se tornar inteligível. Quero só a mania louca. Sem o complemento. Quero a mania louca. Como é bom as vezes se afundar, tentando se achar naquela perdidão e ao mesmo tempo estar mais consigo do que nunca. Anfundar-se, afundar-se, afundar-se.... ahhh, que sensação de perdição. Alucinante, alucinógenos, alienígenas, eu, ar, flutuar, gravitação...
Como é bom aquela onda branca florescente que se move e tem uma testura única que surge lá no peito, trava no pescoço, fica lá. Continua lá. Uma agonia que precisa se expandir. Mas continua lá. Até que se transforma, sobe para os olhos, dói a vista, faz cócegas no nariz, e fica lá, não menos intensa. Expande se limitando. Fica lá. Explode. O rosto fica molhado, úmido. A sensação da lágrima, a carícia do salgado. Intensidade contida intensa.
Necessidade que independe do gole. Necessidade que é curada quando precisa. Necessidade. Pronto. Sem complemento.
Onda que vem, que continua na garganta. Presa lá. Fica lá.
What am I ?"A whisper in your ear?A piece of your cake?"